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terça-feira, 8 de setembro de 2009

desEncanto


Tenho saudades tuas de forma intermitente, já não me lembro de ti todos os dias, e as saudades, não sei se são do que te conheço se do que imaginei que pudesses ser. Que importa? Afinal, como me disseste, o encanto está em não se conhecer.

Talvez te console imaginares-me e eu talvez te esqueça em breve.

domingo, 16 de agosto de 2009

Are you?


Nem o caminhar sob o sol escaldante faz com que me concentre em poupar energias para aguentar a jornada.
Levei a câmara. Revisitei lugares, vi os mesmos barcos abandonados e as marcas impiedosas do tempo o do sol. Tudo no mesmo sítio, apenas mais velhos e mais frágeis.
De volta a casa é a cabeça que me dói, como me dói o peito por aquilo que não sinto, por não haver qualquer significado para os olhos marejados. Livro-me destas dores aqui enquanto oiço Pat Metheny. Are you going with me?

É que tenho, realmente, muito mais que viver.

sábado, 15 de agosto de 2009

Raízes


Voltei a casa. Estranhamente, o cheiro da nossa casa, aquele que nos dá as boas vindas, não me encheu os pulmões. Voltei a inspirar profundamente. Nada, estranhei.
À luz ténue do traço de luar reflectido no chão tudo parecia estar tal como tinha deixado. Pousei a bagagem a acendi a luz do candeeiro da entrada. Tudo na mesma menos o cheiro.
A apreensão deu, lentamente, lugar a uma alegria miúda que cresceu e se instalou - não pertenço aqui nem a qualquer lugar e estou em paz com isso. Sorri.
Se não tenho raízes? Tenho. Em mim, no mais aéreo de mim, numa trama complexa onde pulsam amores, sensações, recordações e sonhos.
Outra mudança.
Temporária.
Como tudo é na vida com excepção da morte.
Que eu saiba.

Talvez tudo isto seja falso. Talvez sejam apenas saudades da liberdade que se sente quando se pedala, no sossego da noite escura alentejana, sob a chuva de meteoritos. Sei lá. Sei tão pouco...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"O que importa


não é o que acontece mas o que acontece em nós desse acontecer."

É que é tanto o que tem acontecido em mim...

sábado, 11 de julho de 2009

7730

... quilómetros de mar entre o corpo e o coração.
E eu que o queria aqui, comigo, bebendo desta beleza.

domingo, 5 de julho de 2009

Gavetas

Tento distrar-me enquanto o sono não chega e acabo a desarrumar gavetas e papeis. Encontrei isto que escrevi, fará dois anos daqui a dez dias:

Tão simples e tão dífícil também. Como na canção, I'm in my thirties now, já vivi algumas coisas... O suficiente para saber o que não quero e também uma boa parte do que quero. Sei que aprender é a minha paixão e que quero ser interessada por coisas, por pessoas e pela vida até morrer. Viver é isso, para mim. Gosto de abraços e sorrisos sinceros, gosto de gostar e de ser gostada. Gente bonita por fora não me impressiona, apenas me faz pensar que a natureza é muito generosa com alguns. Gente bonita por dentro deixa-me com a garganta apertada e isso vê-se nos meus olhos. Não me queixo de nada, a vida tratou-me sempre bem. As pessoas, nem sempre, mas sinto que sou, depois da dor, uma pessoa melhor. Tenho medo de luzes encarnadas no escuro e de não aprender sobre mim o suficiente a tempo de ser, para mim mesma, a melhor companhia pois sei que os dias de solidão baterão à porta mais tarde ou mais cedo... Seja como for, half the perfect world is found... Half the perfect world is found. Todos os dias, nas coisas mais simples que possa imaginar, como guiar no regresso a casa enquanto na rádio passa a canção que, naquele exacto momento, precisava ouvir.

Foi há dois anos e podia ter sido ontem, ou hoje. Aperta-se-me a garganta e isso ver-se-ia nos olhos se houvesse olhos que os vissem. Mas não é tristeza que sinto, não daquela que já conheci. Há gavetas que magoam, difíceis de arrumar, mas tenho confiança. É extraordinária a interminável viagem até nós mesmos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bailam nos olhos


Bailam nos olhos pedaços líquidos da alma.
Nessa altura tento sustê-los, deixá-los bailar, apenas. Não quero que rolem, tenho medo que me escorra a alma toda e fique vazia.

Foi o que viste esta manhã.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A quem me faz feliz

Nos últimos tempos parece-me que o que mais tenho feito é despedir-me de pessoas de quem gosto. No momento é como se tirassem bocadinhos de dentro de mim, sinto-me esvaziar. Mas depois sereno, já não me desespero. Percebi há já algum tempo, diria anos, que toda a presença é precária, que toda a vida é precária, e que a perda, a mudança ou a transformação têm muito mais chance de ocorrer do que a permanência. Aprendi também a aceitar os outros tal como são e a não esperar deles mais do que lhes é possível dar, desde que assimilei a minha própria inconstância, o turbilhão que são tantas vezes os meus sentimentos e as minhas limitações. Vivo melhor. As lágrimas lavam e o riso dá brilho, aceito-os tão graciosamente quanto vou sendo capaz. Metade do mundo perfeito está encontrado e a outra metade seguir-se-á. O Amor em Paz.



Achei durante muito tempo que não encontraria esse Amor em Paz (que costumava ouvir na voz da Paula Morelenbaum) mas também isso mudou quando percebi que procurava de forma errada. Ocorre-me a história da mulher preguiçosa a quem uma fada promete enviar dez anõezinhos invisíveis para ajudá-la nas tarefas domésticas e que só no final do dia, com a casa toda arrumada sem ter posto a vista em cima dos anões mas confiando que eles lá andavam, percebe que a ajuda esteve sempre na ponta dos próprios braços. Enfio a carapuça, é a mim mesma que devo encontrar antes de mais e assim vou aprendendo a consertar o meu coração.



Gosto deste moço, de quem ouvi numa canção

Sigo o meu caminho
Mas não vou sozinho
Trago esse meu coração que diz
"Amo as estrelas, amo certos olhos
amo a quem me faz feliz"

E porque há quem me faça feliz e esteja de partida, hoje foi dia de festa. Não choro nas despedidas, é desperdício. Ao invés, haja alegria, esteja cada um no seu melhor. Não haverá falta na ausência.

Ausência

Por muito tempo achei que ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

O N voltará e haverá festa no regresso. Porque ele diz, a nosso respeito, eles são malucos mas a família não sabe e eu, moça mais comedida, digo que nada disso, que apenas quando um diz mata já o outro está a esfolar. Mais ou menos como no video aí abaixo. Ah!... e esses copitos da Duvel, flutuam melhor que as flutes. E há um armário cheio de copos alinhados para a prova de natação. Aqueles 24, todos diferentes, da peregrinação às brasseries belges...



Já nós... nunca te tive, não tenho como sentir-te a falta. Explica-me, então, que dor é esta que sinto quando me rio?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

De volta


Esperei-te. Quero que o saibas.

Mesmo que nunca to diga.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cor de pérola


Tem um vestido que a deixa com ar de menina. Tanto, que mal se reconheceu ao se ver reflectida no espelho do elevador quando saíu de casa de manhã. Ainda era Primavera mas a manhã tinha a tonalidade das manhãs cedo do Verão, em que uma neblina fina paira sobre as águas espelhadas do rio. O dia fez-se quente tal como prometia. Com o pretexto de que o vestido era fresco, atravessou o campus sob o sol abrasador e foi almoçar na esplanada à sombra dos pinheiros, aquela que tinha visto uns dias antes e onde não se tinha sentado porque estava frio e o sol apetecia mais. Comprou o almoço no self-service e sentou-se a gozar a frescura do banco de azulejo atravessando o vestido, que é o mais doce dos três vestidos que tem. Nessa tarde houve quem viesse despedir-se dela.
Quando, no regresso a casa, tomou o elevador, fê-lo na companhia duma menina de vestido cor de pérola. Nunca a tinha visto, parece que é nova lá no prédio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Não esperes nada de mim


Não esperes nada de mim. 
Não tenho regaço, não sei que fiz do colo nem dos braços que te aguardavam, não sei onde os deixei. Não preciso deles, já não te espero. Como não te encontrarei se te vir. Não to tinha dito ainda mas por vezes tento recordar-te e já não consigo.

Não esperes nada de mim, não me esperes. Não saberia reconhecer-te.

Obrigada, Tempo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Recado


Este blogue é de Paz, da minha busca por ela.

Todos os visitantes são bem vindos. Se o que escrevo entretiver alguém, fico contente. Se o fizer soltar um sorriso, tanto melhor. E melhor ainda se sentir que não está só lutando contra dificuldades, dúvidas e angústias ao mesmo tempo que procura o caminho e os meios para se tornar em quem quer ser. Percebi que registar as coisas boas, os pensamentos positivos e os objectivos me faz um bem imenso, por isso estão aqui tantas Alegrias, Crescer, Coisas simples, Confissões, Esperança e Pensamentos.

Como visitante mais assídua deste blogue recomendo-me a leitura deste post. Para que não me desvie do propósito com que o comecei e que mudando, não mude para pior.

É que desconfio que a minha capacidade para a arrogância excede em muito a minha humildade.

sábado, 30 de maio de 2009

Também este nós perdemos


Sempre achei que a beleza faz mais sentido se for partilhada. Tenho dificuldade em ver coisas belas e não as associar a alguém de quem goste. Acho que todos o fazemos.  Em limite, esta associação, a das coisas mais belas, vai para a pessoa que amamos.  Ou isso, ou transborda. Ou magoa.
Acabei de ver da minha janela a festa do fogo de artifício sobre o Tejo. Foi belíssimo. E transbordou. Fez-me recordar um dos meus poemas favoritos. Deposito-o aqui antes que me magoe, como acontece tanta vez quando, daqui, vejo a festa do poente.


Também este crepúsculo nós perdemos.
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Olhei a minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.

Às vezes como uma moeda 
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.

Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que só tu me conheces.

Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
E porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
Caiu o livro em que sempre escolhíamos ao crepúsculo
e como um cão ferido encostou-se a minha capa aos pés.

Sempre, sempre te afastas pela tarde
para onde o crepúsculo corre apagando as estátuas.

Pablo Neruda


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Balance


Leio-a como sendo uma palavra inglesa - balance. Agora em português - balance. Acho que equilíbrio é isso mesmo, ser capaz de balançar. Balançar , contrabalançar e continuar. Acho.

Acho e quero. Para mim.

domingo, 24 de maio de 2009

Feu rouge

Costumo rir-me e dizer que não tenho medo de coisa alguma a não ser de luzes vermelhas no escuro. É mentira.
Escondo o medo que tenho da falta de lucidez, a luz que faz acender a luz vermelha no cérebro.

Também tenho medo do mau gosto. Muito.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

It's a kind of magic


Já não me deslumbro mas ainda me encanto. Muito.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

It takes two


Sempre gostei de palavras. Minto, nem sempre. Sempre as usei muito, isso sim. Em criança, apesar de falar pelos cotovelos, as palavras não eram senão a ferramenta que me permitia fazer perguntas e nunca me encantaram por si só. De resto, a imaginação que emprestava à elaboração de teorias e ficar pendurada de cabeça para baixo eram o que mais me divertia. Só muito mais tarde comecei a gostar verdadeiramente das palavras - foi quando percebi que deveria falar menos e pensar mais, coisa que assimilei mas que ainda não aprendi a colocar em prática tanto quanto gostaria.

Passei a falar menos, é certo, mas passei a escrever. Agora estou à espera de deixar de escrever, de pensar apenas. E só. Quero perder a sensação de inchaço que me obriga a pôr as coisas cá fora depois de (mal) filtradas. Aspiro tanto ao silêncio tranquilo de quem não sofre por miudezas...

Aspiro a ele mas não é desta. Desde esta manhã que há uma palavra que preciso deitar cá para fora: comprometimento.

Comprometimento.

Ou compromisso, que é a mesmíssima coisa, atesta o Priberam. Gosto mais da primeira forma.
Basta olhar para ela para se perceber o que significa. Senão, vejamos - comecemos por parti-la em duas - com + prometimento. Ou seja, algo que se fez em conjunto (com) + prometimento, ou seja, promessa. Um compromisso ou comprometimento é, pois, algo que duas pessoas (ou entidades - mas que acabam por, de alguma forma, ser personificadas) assumem. Assumem e devem cumprir, como pessoas de bem que todos fazem questão de frisar que são. Até o Estado.

E anda este bater de tampas por aqui porque a M., que é minha aluna de mestrado, inteligente, talentosa, de espírito aguçado e trabalhadora, está a rebentar pelas costuras. Porque é ela que quase sempre a sós cuida de uma promessa que não fez sózinha. Da promessa, dos três filhos, do trabalho precário, da tese. Deixei de lhe perguntar "como vai?" quando chega porque nessas alturas os olhos brilham-lhe demais. Não perdemos tempo em lavagens de alma, temos mais que fazer, temos um compromisso: eu de orientá-la, ela de fazer a tese. E não é desta que deixaremos de ser pessoas de bem.

Entregou-me a primeira versão completa da tese. Dedicou-lha e aos filhos. Coisa de que ele se gabará aos amigos. Ou talvez não.

domingo, 10 de maio de 2009

Não sei que te faça

Tão depressa te digo que te vás como te quero de volta.

O que vejo cá de cima


Dar a devida importância às coisas, separar o essencial do acessório e focarmo-nos no primeiro, parece-me ser um dos mais difíceis exercícios a que somos sujeitos constantemente. E, curiosamente, apesar da frequência com que a ele nos sujeitamos e do quão mal sucedidos somos, parece haver uma certa cegueira relativamente à questão e não nos preparamos devidamente para um melhor desempenho na vez seguinte.
Acumulamos objectos desnecessários, dispersamo-nos quando deveríamos trabalhar com afinco e, pior, gerimos mal as relações humanas - damos primazia aos detalhes desagradáveis, criticamos sem sermos construtivos mais do que elogiamos ou ajudamos, zangamo-nos mais por um pequeno mal do que nos alegramos por um bem maior. Existe o bota abaixo mas ninguém ouviu falar do bota acima. Praticamos a auto-indulgência e pensamos que os maus são sempre os outros. 
O resultado é o cansaço, a saturação, o fim da tolerância (qual?). É o afastamento, são as portas a fecharem-se. São os laços tão ténues que se desfazem à mínima tensão. É a descrença, a falta de confiança. São pessoas sós dentro de portas ainda que com amigos fora delas. São pessoas que vivem no seu castelo, construído com as pedras que, pensam, lhes foram todas atiradas quando a maioria são as que andaram a desenterrar. Pessoas que vivem no cimo das colinas...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No meu placard


Não procuro a facilidade, mas a coragem para ver, em cada dificuldade, uma oportunidade. 

Digo eu, perante o que sei que me espera.