sábado, 31 de janeiro de 2009

Low tide

A maré baixa das pessoas é como a dos rios - revela como são no fundo.

Foi o que senti esta manhã enquanto caminhava ao pé do rio. O leito do rio, deste pelo menos, não é bonito. Tem lodo, pedras e restos de naufrágios de toda a espécie.
Mas é na maré baixa que se percebe porque é que veleiros belíssimos, conseguem navegar neste pequeno braço de rio- é na maré baixa que se revelam os canais que acolhem as quilhas que lhes permitem a navegação.
É também na maré baixa que o rio se enche de outra vida - a das aves. As garças cinzentas e os flamingos juntaram-se às residentes gaivotas e garças comuns. Alimentam-se da vida que existe no leito do rio.

No entanto, é a maré cheia que encanta. A do rio, e a nossa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Semear

Gosto de terra. Muito, mesmo. De semear, cuidar e, claro, colher. Quem já cuidou de um vaso de salsa, que seja, sabe do que falo.
O amor que tenho pela fertilidade da terra é o mesmo que tenho pelo cultivo dos outros em mim e que desejo exista de mim nos outros.
Mas preciso que o ciclo se cumpra sob pena de não voltar a semear ali. Tenho dificuldade em perdoar. Senti-o claramente quando hoje passei por um expositor de sementes e não as olhei duas vezes, sequer.

Golden brown


The Stranglers hoje na Aula Magna. Mais uma vez estas notícias chegam-me em cima da hora, para não dizer tarde demais, mesmo. Não vai dar para ir.
Mas recordar Golden Brown e Always the Sun tornou o exercício do pára-arranca desta manhã carrancuda de sexta-feira menos desagradável. Dei por mim a sorrir às pessoas e houve quem retibuísse. Talvez porque tivessem acabado de ouvir a mesma notícia e recordassem, como eu, o golden brown da pele no final dos verões da década de 80 ou porque, simplesmente, um sorriso é sempre algo bom. Mesmo quando vindo de uma estranha.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pinch me

Confesso que achava que não ia sair fumo branco mas aconteceu - licença sabática para 2009/10!
Não caibo em mim de contente. A minha primeira, primeirinha sabática!
A lista dos queros para este ano acabou de sofrer um incremento : quero que os meus alunos de mestrado acabem as teses até Junho.
A partir de Setembro (em Agosto vou deixar que o sol trabalhe sobre a pró-vitamina D que eu tiver ingerido) e até que chegue Setembro outra vez vou estudar em vez de ensinar, fazer investigação em vez de orientar. Pinch me, please, as it sounds too good to be true.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Um doze avos

Fiz, pois fiz, uma lista de queros para fazer valer no ano novo. Este ano.
Esta manhã revi-a mentalmente, a ver em que pé andava a coisa uma vez que um doze avos dele já lá vai.
Um dos itens da lista é Cuidar melhor da saúde, que para mim é quase sinónimo de actividade física, ou seja, andar a pé ou de bicicleta. Não fossem uns passeios ao pé do rio e o elevador por vezes trocado pelas escadas , estaria à beira de assinalar Janeiro a vermelho no que respeita à matéria.
Fevereiro vai começar com a revisão à bike. Seguir-se-á a abertura da temporada, assim que a chuva der tréguas!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O amor é cego (q.b.)


Confesso que estava à espera de ver o "Sozinho em Casa" pela quinquagésima nona vez quando me sai (ou melhor, entra sala adentro) o Jack Black pela segunda vez em dois dias. É verdade, duas vezes em dois dias, já que ele era o outro, o que faltou mencionar, o quarto do elenco do filme de ontem. Não o mencionei porque, tal como o personagem que o dito encarnou no filme de hoje, às vezes julgo as pessoas pela aparência e ele, admito, não me agrada. Mesmo nada.
Sendo o Natal tempo de amor, deu-lhes (à TVI) para isto, para nos convencerem que, um, o amor não tira férias e, dois, que para se ter beleza interior é preciso ser-se um camafeu (leia-se que o amor é cego). Poupem-nos.
A cegueira do amor não é, a meu (não) ver, a dos olhos. É a cegueira do cérebro ou, para os mais românticos, a do coração. É a cegueira de que sofreu Iris, a mesma de que todos nós, uma vez ou outra, ou mesmo sempre, sofremos.
E amar de olhos sempre abertos será melhor? Reformulando a pergunta, será possível? É que há tanta coisa a que é melhor (para não dizer a que é preciso) fechar os olhos...


domingo, 30 de novembro de 2008

O amor (não) tira férias


Iris (Kate Winslet) é a "melhor amiga" numa comédia romântica, mais uma, em que o título em português é desastroso. (A protagonista é Cameron Diaz, que acaba por emparelhar com o belo Jude Law)

Iris é a típica iludida, crente que o estupor que ama irá, um dia, reconhecer que ela é a mulher da sua vida. Enquanto espera por esse dia que não chegará, está sempre disponível para o que ele precisa. A cada revés assume que a culpa é sua e que não esteve à altura de merecer o homem, ao passo que cada vez que ele se lembra que ela existe, vê nisso a prova em como um dia tudo será como sonha. Até um dia...

O filme vale pela carapuça que as "melhores amigas" poderão enfiar, por de repente parecer que a Kate está ali para contar a nossa história. Vale pela sacudidela, pelo incentivo à mudança. E pelo Jude Law que, ainda que não convença, ajuda a lavar a vista.