sexta-feira, 22 de maio de 2009

Virei buscar-te um dia. Prometo.


Vou ali por-te na prateleira, se não te importas. Gostava de te levar comigo mas não és de confiança. Não me ouves, a mim que sou ponderada, eu que estudo a teoria, que sei tanto de algumas coisas e alguma coisa de quase tudo... Não posso levar-te, tu fazes o que te apetece e quem se vê a braços depois sou eu. Fica aqui sossegado, por favor. Um dia virei buscar-te e seremos felizes os dois. Prometo.

Ficar


Há dias em que acordo com urgência de partir para não voltar. São dias de raízes soltas, que não é como as raízes se querem. Atribuo-a à falta de chão que seja meu, que se cultivasse terra esta vontade não voltaria. Tudo é móvel ou acessório menos a terra.

Essa vontade de partir que surge por tanto querer ter por que ficar. Por tanto querer ouvir fica.
Que é o que terra de que eu cuidasse me diria.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ou fica com as renas



Também gosto deste rapaz. Mas não tanto quanto do outro.

It's a kind of magic


Já não me deslumbro mas ainda me encanto. Muito.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Leva-as?

Cada pedaço que sai de nós não é perda. É semente. Como o são as palavras que, pensamos, o vento leva.

Síndroma de carpa dourada


Cada um tem aquilo que o puxa. A mim calhou ser o rio.

Hoje almocei à sua beira, olhando as tainhas. Nadam ora em pequenos grupos ora sós nas águas de brilho nacarado do óleo dos motores e tantas vezes opacas do que Lisboa ainda despeja no Tejo. Junto às docas, entre os veleiros, onde a água do rio reflecte o azul do céu, fazem piruetas quase ao jeito da Esther Williams e têm um ar alegre, de quem está de bem com a vida.
Pouco se pesca tainha, quase sempre por diversão. No anzol vão só as mais tontinhas, as que se julgam promovidas a carpas douradas.

As tainhas são do rio, mas não é preciso lá ir para ver disto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Contagem decrescente


O tempo é precioso, não quero que corra ainda mais depressa, mas a verdade é que entrei em contagem decrescente. O semestre está acabar e isso significa que vou poder dedicar-me mais a estudar coisas que me interessam e a delinear melhor o plano de trabalho para a minha tão desejada sabática.

E há o bom tempo de volta. Não sei ao certo quando chegou mas sei que hoje dei por ele a valer. Talvez porque tenha passado algum tempo fora do meu estaminé, talvez por ter aprendido fora desta minha escola coisas novas que me interessaram. Ou talvez apenas por ter acordado em posição starfish depois de uma noite um tanto insone.
Ou talvez por me terem dado 30 anos. É que em tempos de crise isso faz ganhar o dia...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Double face

O silêncio raramente é paz. Ou sabedoria. Ou conciliação. Ou quietude. Ou sinal de inteligência.
Maioria das vezes é tão só conveniente, por levar a pressupor alguma das coisas acima. Parece-me.

It takes two


Sempre gostei de palavras. Minto, nem sempre. Sempre as usei muito, isso sim. Em criança, apesar de falar pelos cotovelos, as palavras não eram senão a ferramenta que me permitia fazer perguntas e nunca me encantaram por si só. De resto, a imaginação que emprestava à elaboração de teorias e ficar pendurada de cabeça para baixo eram o que mais me divertia. Só muito mais tarde comecei a gostar verdadeiramente das palavras - foi quando percebi que deveria falar menos e pensar mais, coisa que assimilei mas que ainda não aprendi a colocar em prática tanto quanto gostaria.

Passei a falar menos, é certo, mas passei a escrever. Agora estou à espera de deixar de escrever, de pensar apenas. E só. Quero perder a sensação de inchaço que me obriga a pôr as coisas cá fora depois de (mal) filtradas. Aspiro tanto ao silêncio tranquilo de quem não sofre por miudezas...

Aspiro a ele mas não é desta. Desde esta manhã que há uma palavra que preciso deitar cá para fora: comprometimento.

Comprometimento.

Ou compromisso, que é a mesmíssima coisa, atesta o Priberam. Gosto mais da primeira forma.
Basta olhar para ela para se perceber o que significa. Senão, vejamos - comecemos por parti-la em duas - com + prometimento. Ou seja, algo que se fez em conjunto (com) + prometimento, ou seja, promessa. Um compromisso ou comprometimento é, pois, algo que duas pessoas (ou entidades - mas que acabam por, de alguma forma, ser personificadas) assumem. Assumem e devem cumprir, como pessoas de bem que todos fazem questão de frisar que são. Até o Estado.

E anda este bater de tampas por aqui porque a M., que é minha aluna de mestrado, inteligente, talentosa, de espírito aguçado e trabalhadora, está a rebentar pelas costuras. Porque é ela que quase sempre a sós cuida de uma promessa que não fez sózinha. Da promessa, dos três filhos, do trabalho precário, da tese. Deixei de lhe perguntar "como vai?" quando chega porque nessas alturas os olhos brilham-lhe demais. Não perdemos tempo em lavagens de alma, temos mais que fazer, temos um compromisso: eu de orientá-la, ela de fazer a tese. E não é desta que deixaremos de ser pessoas de bem.

Entregou-me a primeira versão completa da tese. Dedicou-lha e aos filhos. Coisa de que ele se gabará aos amigos. Ou talvez não.

Sono repara-dor

Vi no blogue do Bagaço amarelo ontem e resolvi prestar atenção ao meu caso: adormeço como a maioria e acordo na posição adoptada por menos pessoas.
Ainda de acordo com o estudo que ele refere, concluo que me deito com a atitude com que passo os dias - de casca dura, a resguardar a sensibilidade que possa haver cá dentro - e acordo amistosa, pronta a ouvir os outros e a ajudar.
Nada de realmente surpreendente, já que sempre ouvi falar no efeito reparador do sono. Vou tentar fazer umas sestas, a ver se chego tratável e amiguinha dos outros ao final do dia. É que me tem sido difícil. Mesmo.
PS: É a (de)formação profissional que me obriga a perguntar pelos 11% que faltam, não a insónia da noite passada.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Parar

Saber fazê-lo no momento certo é dificílimo. Mais corrente é percebermos, a posteriori, que deveríamos tê-lo feito antes. E se na maioria das vezes este passar do ponto óptimo é inconsequente, traz-nos conhecimento e pode até ter graça, casos existirão em que não é bem assim, e pagamos caro o esticar da corda.
Serviu-me o exemplo desta manhã, corriqueiro e inconsequente o mais possível, para me lembrar disso mesmo. Estando dependente da aquisição de uma chave philips de tamanho adequado o eventual regresso do ferro de engomar lá de casa às suas funções, resolvi arriscar a entrada numas calças que me ficavam apertadotas no ano passado. Para meu espanto estavam folgadinhas, folgadinhas, eu uma elegância lá dentro. E que fez a menina em vez de se deixar ficar no xa-la-la-la-la toda contente? Foi a correr vestir umas outras, cinzentas como a tristeza e estreitas como a visão dos invejosos o que, claro, a deixou tal embutido de cerdo ibérico e a calou num ápice.

A ousadia dá graça à vida, mas agir sistematicamente de forma irreflectida é outra coisa e tem nome- estupidez.
Este post não tem pés nem cabeça, tal como não tem a ver com trapos ou dramas-de-balança. Não tem ponta por onde se lhe pegue e só quer dizer uma coisa: ando preocupada.

O melhor de tudo


Por muito que pareça manifestar o contrário e apesar de quase ter banido a conjugação dos verbos na primeira pessoa do plural, continuo a achar que o melhor de tudo são as pessoas. Pelo potencial que cada uma encerra, pela surpresa boa que poderão ser se nos demorarmos um pouco com elas. Não quer isto dizer, de todo, que gosto de toda a gente. Nem por sombras. Apenas que acredito que terei, ainda, muitas surpresas boas na vida.

Li poesia de minha predilecção esta manhã, quando não esperava encontrá-la. E isso fez-me tão bem!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Estou...


Não é à espera. É áspera, mesmo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Diz ela

"Temo que esquecer um bom carácter aliado a inteligência raie o impossível. "

Uma companhia inteligente, se quiser ser agradável, é como uma lufada de ar fresco, tal como um bom carácter é um bálsamo para a dor que a inteligência nos legou. Mas a falta de um bom carácter aliado a inteligência só me parece superável por mais do mesmo.
E não vale a pena aviar estúpidos pelo caminho, como quem vira mines. Por ser grotesco e acabar por nos deixar com a sensação de desperdício. Desperdício de nós mesmos, pois não há prazer que desculpe a boçalidade. 
Estejamos, antes, preparados para passar por algum desgosto, mas apenas algum, pois muito desgosto revelará demasiada falta de senso.

Body language

Num outdoor de publicidade, um candidato às Europeias surge de braços cruzados. A mensagem que recebo vendo isto não é, creio, a que ele pretende passar. Ou é?