quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mão no queixo


Sei lá quantas vezes dou por mim assim, sei só que são muitas. Como frequente é a apreensão e corrente a tentativa de perceber o porquê do que me interessa e tantas vezes também do mais banal ou distante. Por isso me ri quando ontem, no regresso a casa, ouvi isto. Ri-me também por me ter sentido "a moça feia" que "se debruçou na janela pensando que a banda tocava p'ra ela". Chico Buarque, Jorge Palma, cantam para moças como eu, que sou provavelmente como todas as outras, que pensam que é para elas que eles cantam. E é.


domingo, 26 de julho de 2009

Dentro

Não há como a nossa casa.
E por estar de volta sinto-me, usando uma expressão dos lugares por onde andei, como pinto no lixo - FELIZ! Não importam as malas meias por desfazer, o excesso de roupa na tulha, o frigorífico vazio, a agenda a abarrotar com trabalho em atraso. Estou de volta. A mim, aos meus, à minha casa. E não há como isto.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fora

Fora de horas, fora do tempo, fora do espaço, sou de fora.
De fora daqui,
de fora de tantos lugares,
de fora de mim.
Quero-me de volta ao que chamo de meu, tenho saudades.
Não se morre de saudades, sempre achei, tal como não se morre de amor.
Não se morre de amor, é verdade.
Apenas da falta dele.
Devagarinho.
Ou nem por isso.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"O que importa


não é o que acontece mas o que acontece em nós desse acontecer."

É que é tanto o que tem acontecido em mim...

domingo, 12 de julho de 2009

Ai os olhos...

Sabia que existem, claro que sabia. Mas não tinha visto. E os olhos, pelo menos os meus, não são só o espelho da alma, são também a porta. Por onde entrou esta realidade que se agarrou, por dentro, ao peito e não se descola.
A cidade vibra de uma vida puxada ao limite como se não houvesse amanhã. É assim que sinto a Cidade Maravilhosa. A natureza magnífica, as montanhas e o mar, abraçadas pelo Cristo voltado para sul. Nas suas costas, trepando os morros cresce o maior mal da humanidade: a pobreza.
Ai os olhos, os meus, os do resto do mundo, que tão facilmente vêem só o que querem. Miseráveis que somos por sermos capazes de conviver, impávidos, com tudo isto.

sábado, 11 de julho de 2009

7730

... quilómetros de mar entre o corpo e o coração.
E eu que o queria aqui, comigo, bebendo desta beleza.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Até mais ver


Sei que me repito, mas se não o disser parece que rebento: detesto feiras.
E isto de se morar numa espécie de manta de retalhos feita de lugarejos colados uns aos outros, todos com história e tradição, tem as suas desvantagens: as festas da terra. Não. As festas das terras. Das terras todas aqui à volta. Que têm, infelizmente e sem excepção, muito de feira e pouco de festa. Muito de venda ambulante, lixo e bandalheira, e pouco de tradição.
Não há freguesia que não reclame o direito à sua festarola estival com ruas enfeitadas e foguetes ao fim da noite do último dia. Fossem as festas só isso mesmo, mais a procissão, e não estaria aqui a debitar fel, antes pelo contrário, o fogo de artifício deitado sobre o rio é lindo de morrer. Mas não. Festa da terra, desta ou da do lado, é sinónimo de barracas, de barulho, de ruas cortadas ao trânsito e muita, muita bermuda, manga cava e chinelo, misturada com o cheiro das farturas e o barulho estridente das sirenes no intervalos das viagens dos carros de choque.

Mas, moça de sorte que sou, vem tudo a calhar: é que se hoje começaram as festas da terreola aqui colada ao lado, é já amanhã que a menina se vai. Pouco importa se vou p'ra trabalhar. A primeira coisa que vou fazer, vai ser comprar um chinelo e tomar uma água de côco. Isso e agradecer aos céus não ser carnaval.

Certeza


As lágrimas saltaram-lhe, rápidas. Não deixou que escorressem, olhou para mim com ar sério e disse Não foi para isto que estudei.
A notícia chegou na noite da véspera do dia marcado para a afixação das pautas com os resultados do exames. Disse-lhe uma amiga, que soube pela mãe, que soube por uma amiga. Passou-se um dia e não tivémos como saber se o passa-palavra nos tinha chegado sem erro, estávamos e continuámos todo o dia longe da escola. Confirmámo-lo no dia seguinte. Feitas as contas, está a três décimas da nota de entrada na escola que quer, no curso que quer, a julgar pelas estatísticas do ano passado e que valem o que valem- valem como referência.
Não lhe disse Deixa lá, nem Não faz mal, não fui capaz, não é isso que sinto. Não é para deixar lá e, sim, se me diz que faz mal é porque faz. Disse-lhe, antes, decide o que queres fazer e não te gastes a chorar, e repeti-lhe o amor, a admiração e o respeito que lhe tenho.
Na manhã seguinte voltou ao estudo, para se preparar para uma melhoria, o que vem fazendo desde que terminou os exames principais e que interrompeu apenas por dois dias para o merecido Delta Tejo. À hora de almoço disse-me Hoje vou a Santa Maria, vou ver a Faculdade. Foi. Voltou umas horas depois, de olhos brilhantes de entusiasmo. Contou-me que procurou pessoas e lugares e que encontrou respostas para o queria saber. Que a levaram a ver cérebros em frascos, a sala onde se apresentam os trabalhos e onde se fazem provas orais de anatomia e de diagnósticos de doenças, tudo cronometrado. Porque ser bom não chega, é preciso ser-se rápido também, disse-me num sorriso largo. Sim, disse-lhe, passa por aí a excelência - ter o conhecimento e ser capaz de mostrá-lo no momento em que é necessário.

Fixou-me nos olhos de sorriso aberto. Depois disse: Aquele é o curso que quero, aquela é a Escola que quero, é a minha faculdade, tenho a certeza.
A alternativa está, parece-me, posta de parte. Acho que perdemos uma MC.


domingo, 5 de julho de 2009

Gavetas

Tento distrar-me enquanto o sono não chega e acabo a desarrumar gavetas e papeis. Encontrei isto que escrevi, fará dois anos daqui a dez dias:

Tão simples e tão dífícil também. Como na canção, I'm in my thirties now, já vivi algumas coisas... O suficiente para saber o que não quero e também uma boa parte do que quero. Sei que aprender é a minha paixão e que quero ser interessada por coisas, por pessoas e pela vida até morrer. Viver é isso, para mim. Gosto de abraços e sorrisos sinceros, gosto de gostar e de ser gostada. Gente bonita por fora não me impressiona, apenas me faz pensar que a natureza é muito generosa com alguns. Gente bonita por dentro deixa-me com a garganta apertada e isso vê-se nos meus olhos. Não me queixo de nada, a vida tratou-me sempre bem. As pessoas, nem sempre, mas sinto que sou, depois da dor, uma pessoa melhor. Tenho medo de luzes encarnadas no escuro e de não aprender sobre mim o suficiente a tempo de ser, para mim mesma, a melhor companhia pois sei que os dias de solidão baterão à porta mais tarde ou mais cedo... Seja como for, half the perfect world is found... Half the perfect world is found. Todos os dias, nas coisas mais simples que possa imaginar, como guiar no regresso a casa enquanto na rádio passa a canção que, naquele exacto momento, precisava ouvir.

Foi há dois anos e podia ter sido ontem, ou hoje. Aperta-se-me a garganta e isso ver-se-ia nos olhos se houvesse olhos que os vissem. Mas não é tristeza que sinto, não daquela que já conheci. Há gavetas que magoam, difíceis de arrumar, mas tenho confiança. É extraordinária a interminável viagem até nós mesmos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bailam nos olhos


Bailam nos olhos pedaços líquidos da alma.
Nessa altura tento sustê-los, deixá-los bailar, apenas. Não quero que rolem, tenho medo que me escorra a alma toda e fique vazia.

Foi o que viste esta manhã.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estou...


Ou vinha aqui ou pegava fogo a isto.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quem quer...

... encontra um meio.

Não sei se a teimosia frutifica, a tenacidade sei que sim. Isto o que é? É outro neurónio a menos- diz a tainha.

Não terei


Não sei como reagir a notícias destas. Fico perto da apatia, que deve ser uma espécie de negação calada. Primeiro pareceu-me que tinha deixado de ouvir para, depois, o silêncio ser lentamente tomado por um ruído grave e crescente que me faz tremer o peito por dentro. As avalanches devem ser assim, quando se ouvem ao longe. Depois avançam furiosas, cobrem tudo e instala-se a escuridão debaixo do manto branco.
Abri o e-mail a correr, queria mandar-lhe fotos e dizer que sim, que me rendo, que a neve também é, a par com pôr copos a boiar, o máximo como ele diz. Adiantou-se-me, para me dizer, em poucas linhas, Pois, fizeram-me o tal exame, estou a escrever-te do hospital e assinou, como sempre, Enviado a partir do meu iPod. Fiquei quieta a ouvir chegar a avalanche, que afinal é água que enche o peito e transborda.
Não sei reagir a coisas destas, não sei o que se diz. Sinto a pequenez das minhas queixas e a convicção de que, mais do que nunca, o tempo tem de ser de esperança, aquela que tento aprender e de que me sinto tão ignorante.
Corri para lá com uma pressa solitária contra a cidade indolente. Ao meu Posso? devolveu Olha, olha, a mata-esfola. Entrei. Não tenhas medo disto, eu safo-me. Não tenho, menti. Depois rimo-nos e planeámos dias ao sol com todos os E se? arredados.
As horas nos hospitais correm lentas, mesmo naqueles com ambiente zen, e a nossa urgência não ecoa. Ecoa só a avalanche trazendo todos os E se? de que não quero ouvir falar.

Não terei medo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Até já

Vou até ali.
Coincidência feliz, estarei lá longe enquanto durarem as festanças populares cá da terra.
Gosto tanto desta terra quanto abomino feiras, música a condizer, barracas, farturas, churros e carros-de-choque. Pena, mesmo, só tenho de não ver a procissão mais a banda filarmónica a tocar, grave, quando S.Pedro é levado para a benção das embarcações atracadas no cais velho da vila.
Menos a calhar, está a decisão de S. Pedro de mandar abrir a torneira do céu lá para onde vou. Desconfio que me queria por cá.

Ou isso, ou resolveu castigar-me pela soberba. A da questão das feiras e a de achar que Ele sabe de mim.

Boa sorte


Porque trabalhar muito e querer muito não basta quando aquilo que se quer é muito difícil de alcançar. Porque qualquer deslize pode comprometer o desfecho de anos de trabalho dedicado. Boa sorte, miúda!