quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

E-ner-gi-aaaaa!


Acordei tão, mas tão, bem disposta que acho que será desta que farei com um sorriso nos lábios e de forma diligente uma série de coisas chatas que tenho vindo a adiar. Isso e livrar-me de coisas de que não preciso e, porque não, dalgumas outras que quero que deixem de me fazer falta. Apetece-me desafogar a casa, a vista, a vida. Para que esta última seja mais simples e, por isso mesmo, mais apreciável.
Há em mim, bem cá dentro, um fervilhar. De vontade.

Sou feliz agora, sem ter alcançado tanto do que um dia julguei ser essencial. E eu, tola, que cheguei a pensar que este dia não chegaria!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vade retro!


Se há coisa de que não gosto mesmo é de sentir saudades.
Saudades não são recordações doces. Ter saudades é sentir falta, é não estarmos inteiros. É termos a cabeça e o peito noutro lado e no lugar deles um vazio difícil de preencher.
Detesto sentir saudades. Fico à toa, sem saber o que fazer com a falta desses dois, meus mais-que-tudo, cérebro e coração. Que há para além de pensar e sentir por inteiro?

Por isso, antes que ataquem, estou a ver se me ponho en garde.

Vai lá, vai


... sim, vai que tens de ir.

Vou lá dentro procurar uma receitinha de doce, sim? Há que fazer algo com a abóbora.

domingo, 27 de dezembro de 2009

2009


Têm passado lentamente estes últimos dias do ano. O ar frio e húmido faz com que apeteçam ainda mais a casa aquecida, a luz suave das velas e o sossego.
Sabe-me bem que o ano esteja a terminar. Sinto que está na altura de fazer um balanço, renovar energias e perspectivar. Tenho vindo a rever 2009 e estou contente, foi o melhor dos últimos anos. Não porque tenha sido fácil nem porque não tenham existido contrariedades, tristezas ou reveses. Bom porque todos foram enfrentados, porque cada dificuldade se tornou numa oportunidade. Bom porque os momentos que passei só, e que foram muitos, evoluíram da solidão triste para momentos em que estive na melhor das companhias - a minha. Bom porque passei a gostar de uma forma diferente dos que me são próximos, de uma forma que é, descobri, gostar mais. Porque espero deles muito menos, porque neles projecto muito menos as minhas faltas e as minhas necessidades. Gosto deles porque gosto, pelo que são e não pelo que fazem por mim. Bom pelo sorriso que se instalou e que agora nasce do peito e me deixa com a certeza que toda a tempestade é seguida de bonança. Bom porque me rio do meu mau humor, porque cada vez que praguejo (e sei fazê-lo tão bem) acabo escangalhada de riso ao ouvir tanto disparate. Bom porque aprendi a relativizar. Um bocadinho mais. Bom porque querer e fazer andaram de mãos dadas comigo.
Bom, sobretudo, porque a minha família esteve presente e unida. Incondicionalmente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Isto não vai lá nem com um desenho, pois não?


Psssst!, Chega-te cá. Sim, é contigo mesmo (ou não). Agora escolhe: abre bem os ouvidos ou read my lips - enquanto lidares comigo como lidas com os "gajos" teus amigos, nunca te verei como um homem digno de tal nome, OK?

Pai Natal, ilumine estes idiotas ou tire-os do meu caminho. Sim?

A quem não esqueci

Que recordas de quem passou pela tua vida?
O que me ensinaram.
Foi o que respondi sem hesitar. À medida que o tempo passa vou-me tornando melhor ouvinte e dou por mim a dizer Conta-me histórias, tuas ou não, fala-me do que não sei. Depois é fechar os olhos e viajar, ficar tão perto dos personagens que lhes sinto a respiração. Visto-lhes a pele, calço-lhes os sapatos e vejo a vida por esses olhos que não são os meus. E sou isso mesmo, um pouco de todos aqueles que me ensinaram algo e que por isso, de forma consciente ou não, estarão sempre comigo.
Sei o que me encanta, é aprender. E é por ser tão, tão grande esta vontade que haverá tanto e tanta gente que me encantará. Sempre. Gente de quem somarei infinitos pequenos pedaços que farão de mim, quem sabe, uma espécie de integral de Riemann...

Falo cada vez menos, oiço e sorrio cada vez mais. O tempo que tenho não é para gastar espalhando ignorância. Isso faço-o aqui, onde me lêem os amigos e me são desculpados os devaneios.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sei que é tempo de parar


... quando meto os pés pelas mãos e deixo de conseguir fazer tudo tão bem como quero, como gosto e como penso que tanto eu como os outros merecemos.
Dizer sim a todas as solicitações, cometer atropelos de agenda e querer estar em dois lados ao mesmo tempo, porque nos dois lados há coisas que quero fazer e pessoas com quem quero estar, não é, de todo, uma atitude inteligente.
Vou fechar para balanço. Amanhã é outro dia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Porque eu mereço

... uma mala de mão onde caibam o Eee PC, a minha tralha toda e as teses que parecem não querer descolar de mim, esta menina teve de vir comigo.

É no que dá convidarem-me para arguir teses em escolas longe da minha, em sítios onde apetece ir às compras...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Que queres?


Que queres que te diga sobre o risco, senão que me apetece pisá-lo?

Mas se me queres ouvir sobre Teoria do Risco, terás de esperar pelo segundo semestre do próximo ano. Sim? É que este, é de sabática. Ano de pisar o risco, de descobrir. De ver (ainda mais) para além do muro e não de reescrever histórias antigas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ASAP

... estarei de volta. Mas para já tenho de ir até ali.

Os últimos dias passaram a correr, tal foi o amontoado de coisas para fazer. Enervantes, exigentes, rigorosas, com prazos apertados e sem margem para erro. Para dizer a verdade... gosto!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ai mulher!


Tem calma. Olha bem à tua volta. Depois olha para ti. Para dentro e para fora. Depois, levanta as mãozinhas. Sim, levanta-as. Isso, em direcção ao céu... Agora agradece.
E pára de pensar que o verde é mais vibrante dentro da cerca dos outros, ok?
É que se ao menos te desses conta que a tua cerca... Qual cerca?
Tonta!

Pode ser que quê?


Por muito que me apetecesse deixar-me ficar no conforto do sofá seguindo com o olhar as acrobacias das gaivotas no céu cinzento, resolvi levantar-me e deitar mãos ao que tenho para fazer.
Pode ser que me titilem os modelos de previsão de preços de electricidade. Humm?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Talvez não espere


A tarde passou assim, com risos, chá e crumble de amoras silvestres, as últimas das apanhadas pela miúda mais pequena manhã cedo em Setembro.
Entregou-me uma caixa cheia, com um sorriso ainda maior e as pontas dos dedos azuladas. Estavam tão maduras, algumas desfizeram-se..., riu-se. Lavei-as, escorri-as e congelei-as para as gastar depois, devagar. Para saboreá-las demoradamente, quando o frio tivesse chegado e apetecesse sentir a doçura do sol de verão.
Hoje à tarde, entre risos, chá e crumble de amoras silvestres colhidas pelas mãos da miúda mais pequena, a que tem mãos muito brancas e esguias, esqueci a agenda cheia das próximas duas semanas e achei que que há coisas que não são para serem adiadas.


Não me parece que vá esperar que 30 de Janeiro passe.

Digo eu aqui, baixinho,


que gosto de homens de ideias claras, de bem consigo mesmos, que não têm medo de mulheres competentes e que não confundem boa educação e cavalheirismo com servilismo.
Que sabem que igualdade quer dizer igual possibilidade de acesso à educação, aos cuidados de saúde, ao trabalho- à vida, enfim- e não que passamos todos a ter de fazer exactamente as mesmas coisas.
Por isso sim, gosto, muito, de ver homens que não se sentem diminuídos pela gentileza. Que abrem a porta do carro, tomam o lado de fora nos passeios, oferecem o braço em piso sinuoso ou escorregadio, sobem escadas à nossa frente e descem atrás de nós se não o puderem fazer ao nosso lado. E que fazem tudo isto sem esforço, naturalmente. De forma assimilada.
E de mulheres que sabem conviver com isto também de forma natural e assimilada. Sem acharem que foram elevadas ao estatuto de princesas, nem se armarem de repente em feministas modernaças e fazerem discursos inflamados sobre igualdade.

Digo eu, aqui, baixinho, sem hipótese de discussão. É assim como eu digo e pronto!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vão-se... os dedos


Parece fácil percebermos que aliviarmo-nos de coisas nos liberta. Temos menos do que cuidar, menos a proteger, menos a manter, menos a temer que nos seja tirado. Sobra-nos então mais tempo para vida e para a liberdade. Parece fácil mas não o é para todos, pelo menos não sem uma paulada daquelas que a vida sabe dar tão bem. Parece-me.
Desfiava eu o discurso da tal facilidade, chapa três, frases feitas, quando me doeu a verdade que é o facto de ser tão frequente a falha na avaliação do que é realmente importante. E falha até um dia, que é o dia em se vão as pessoas e ficam as coisas. Todas, metade delas, ou lá que porção for. Uma espécie de vão-se os dedos e ficam os anéis.
Vão-se os dedos que cuidavam, que protegiam, que mantinham.

Há coisa de um mês voltei a usar anéis, entretenho-me a rodá-los, estranho-os. Durante muitos anos tive apenas dedos.