
Digo tantas vezes que P'ra melhor está bem, está bem, p'ra pior já basta assim. Porque não haveria de dizê-lo, sentindo-o, se é assim que diz o povo, que é sábio? Dá-me tranquilidade e aconchego teimar nisto, na sabedoria do povo...
De facto, quem tem ou teve algo de um certo nível, seja ele qual for, não quer mudar para pior. Custa. Importam pouco aqui as medidas absolutas porque tudo é, afinal de contas, relativo. São-no o bom e o mau também, não se duvide disso. E fazer comparações é coisa que a espécie humana faz com refinada e (in)conveniente mestria. A nossa memória é muito melhor do que julgamos e sabe, no momento preciso, arrancar a crosta e esfregar, bem esfregado, o sal na ferida. E o momento certo é precisamente aquele em que nos deparamos com algo semelhante ou pior do que algo mau que já conhecemos, algures, no passado. Nessas ocasiões, tocam em nós todas as sirenes de alarme que deverão fazer com que sejamos capazes de evitar a repetição do desastre. Diz-se que isto é bom e até tem nome: é ter aprendido a lição. Uma lição dolorosa.
O que a nossa memória não faz tão bem, se é que o faz de todo, é, no momento em que acontece algo banal ou particularmente bom, procurar nas nossas memórias, uma situação semelhante mas com um desfecho pior e tratar de valorizar a ocorrência presente. Ou seja, raramente aprendemos uma lição quando acontece algo bom. Uma lição doce.
Neste pé, quando pensamos e afirmamos estarmos a tornar-nos exigentes à medida que o tempo passa e nos tornamos vividos, estamos, em geral, a pensar na vasta colecção de lições dolorosas que aprendemos e que usaremos em nossa defesa. Mas se assim for, não estaremos, senão, a tornar-nos intolerantes e injustos. Se não aprendermos a coleccionar lições doces e a servirmo-nos delas também para avaliarmos o presente, pessoas e situações novas não conseguirão ir além de second best (ou besta) e não serão, portanto, elegíveis para fazerem parte da nossa vida. Porque só p'ra melhor é que está bem, está bem...
A fasquia da qualidade é tantas vezes, afinal, um garrote. Disfarçado, a sufocar lentamente.
Digo eu, que passo o tempo a mandar pr'a trás enquanto trauteio o The best is yet to come.
If you know what I mean...







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