domingo, 12 de julho de 2009

Ai os olhos...

Sabia que existem, claro que sabia. Mas não tinha visto. E os olhos, pelo menos os meus, não são só o espelho da alma, são também a porta. Por onde entrou esta realidade que se agarrou, por dentro, ao peito e não se descola.
A cidade vibra de uma vida puxada ao limite como se não houvesse amanhã. É assim que sinto a Cidade Maravilhosa. A natureza magnífica, as montanhas e o mar, abraçadas pelo Cristo voltado para sul. Nas suas costas, trepando os morros cresce o maior mal da humanidade: a pobreza.
Ai os olhos, os meus, os do resto do mundo, que tão facilmente vêem só o que querem. Miseráveis que somos por sermos capazes de conviver, impávidos, com tudo isto.

3 comentários:

Alexandra Brandão disse...

Compreendo. Essa salta aos olhos (do corpo), mas a que mais dói é a que se vê com o coração.

edu disse...

Excelente post, fiquei siderado. De "maravilhosa", a realidade que se pode experimentar nessa cidade é muito parca. Não sei quem é, afinal, mais miserável, se os púdicos que a apelidam de maravilhosa, se os seres que aí vivem, envolvidos no nojo da marginalização de quem tudo tem, tudo lhes tira e nada lhes dá.

Mutante disse...

A geografia é extraordinária, a natureza rica, a terra fértil. Pobres, de uma forma ou de outra, são quase todos - uma maioria que nada tem e uma minoria que não só não dá como ainda tira. Sobram alguns, remando insistentemente contra a maré. Numa cidade que poderia ser maravilhosa.