domingo, 5 de julho de 2009

Gavetas

Tento distrar-me enquanto o sono não chega e acabo a desarrumar gavetas e papeis. Encontrei isto que escrevi, fará dois anos daqui a dez dias:

Tão simples e tão dífícil também. Como na canção, I'm in my thirties now, já vivi algumas coisas... O suficiente para saber o que não quero e também uma boa parte do que quero. Sei que aprender é a minha paixão e que quero ser interessada por coisas, por pessoas e pela vida até morrer. Viver é isso, para mim. Gosto de abraços e sorrisos sinceros, gosto de gostar e de ser gostada. Gente bonita por fora não me impressiona, apenas me faz pensar que a natureza é muito generosa com alguns. Gente bonita por dentro deixa-me com a garganta apertada e isso vê-se nos meus olhos. Não me queixo de nada, a vida tratou-me sempre bem. As pessoas, nem sempre, mas sinto que sou, depois da dor, uma pessoa melhor. Tenho medo de luzes encarnadas no escuro e de não aprender sobre mim o suficiente a tempo de ser, para mim mesma, a melhor companhia pois sei que os dias de solidão baterão à porta mais tarde ou mais cedo... Seja como for, half the perfect world is found... Half the perfect world is found. Todos os dias, nas coisas mais simples que possa imaginar, como guiar no regresso a casa enquanto na rádio passa a canção que, naquele exacto momento, precisava ouvir.

Foi há dois anos e podia ter sido ontem, ou hoje. Aperta-se-me a garganta e isso ver-se-ia nos olhos se houvesse olhos que os vissem. Mas não é tristeza que sinto, não daquela que já conheci. Há gavetas que magoam, difíceis de arrumar, mas tenho confiança. É extraordinária a interminável viagem até nós mesmos.

3 comentários:

Alexandra Brandão disse...

Quando chega o tempo do balanço, significa que uma etapa foi vencida e que outras virão. É bom. Melhor ainda o espírito com que encaras esta mudança.
Hei-de enviar-te o Ode Ao Caril de..., escrito por ambas há muitos e bons anos atrás (duas décadas e meia, talvez). E hás-de rir-te a bom rir. Lê-o a quem te olha nos olhos e gosta muito, muito e de ti e, quem sabe?, está a precisar muito mais de umas gargalhadas do que qualquer uma de nós.

Mutante disse...

Ah! A Ode Ao Caril...
Farei como dizes. Porque há, sim, quem goste, mesmo muito, de mim e precise, mais do que eu ou tu neste momento, de sorrisos, gargalhadas e abraços.

Alexandra Brandão disse...

Sim, a ode ao caril de 31 (talvez de julho?) que me faz rir só de me lembrar do que nos rimos ao fazê-la e de como a mãe é tão boa cozinheira ao ponto de nos elevar tanto o espírito.
Vou procurá-la e transcrevê-la, porque o meu scanner não está pelos ajustes.