sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vão-se... os dedos


Parece fácil percebermos que aliviarmo-nos de coisas nos liberta. Temos menos do que cuidar, menos a proteger, menos a manter, menos a temer que nos seja tirado. Sobra-nos então mais tempo para vida e para a liberdade. Parece fácil mas não o é para todos, pelo menos não sem uma paulada daquelas que a vida sabe dar tão bem. Parece-me.
Desfiava eu o discurso da tal facilidade, chapa três, frases feitas, quando me doeu a verdade que é o facto de ser tão frequente a falha na avaliação do que é realmente importante. E falha até um dia, que é o dia em se vão as pessoas e ficam as coisas. Todas, metade delas, ou lá que porção for. Uma espécie de vão-se os dedos e ficam os anéis.
Vão-se os dedos que cuidavam, que protegiam, que mantinham.

Há coisa de um mês voltei a usar anéis, entretenho-me a rodá-los, estranho-os. Durante muitos anos tive apenas dedos.

4 comentários:

Alexandra Brandão disse...

Uma destas noites sonhei contigo.

Mutante disse...

Eu também tenho sonhado. Acordada.

Anónimo disse...

... que giro, temos tanto em comum...

(estarei a falar de e com quem?...)

Mutante disse...

Eu vou falando comigo mesma e aqui ficam alguns ecos. Que, percebi, poderiam ser ecos de outros também. Esta é uma casa de portas abertas.