domingo, 14 de junho de 2009

Barómetro


São desconfortáveis os dias como estes últimos, em que não senti qualquer urgência em escrever. Mesmo agora não sinto e no entanto aqui estou. Porque o dia está a terminar e não quero que passe sem registo.
Ontem a miúda mais crescida perguntou-me qual era o dom que eu gostaria de ter. Respondi-lhe sem hesitar que gostaria de ser capaz de escrever de forma inspirada. Ser capaz de criar personagens completos, com história e alma. E com vidas que se cruzassem com outras vidas. Ser capaz de escrever de forma contínua e articulada enredos que prendessem a atenção e deixassem vontade de mais. Escrever mais do que estes desabafos que não são mais do que dores de alma ou bolhas de oxigénio que vou deixando para uma emergência, devidamente etiquetados de Alegrias ou Esperança para que os encontre rapidamente. Pedrinhas deixadas no caminho, não como na história dos irmãos levados para a floresta que iam deixando cair migalhas para que pudessem encontrar o caminho de volta, mas para que não me esqueça que há caminhos que não quero voltar a fazer.

Preciso do barómetro apontando Change. Tanto.

10 comentários:

Alexandra Brandão disse...

Mas como, isso? A pressa de chegar não leva a lado nenhum, só a caminhos trocados, enganos de desespero. Não, não te vou sugerir uma bússola. Nem um relógio. Apenas um pôr-do-sol e uma brisa a compor a paisagem. E um conto - A Viagem - de Sophia de Mello Breyner Andresen. Nunca se faz o mesmo caminho, nem no regresso, mana.

Mutante disse...

Nunca o mesmo caminho, nem por engano. Sei. E é isso mesmo que digo.

edu disse...

Os personagens completos que procuras, talvez estejam bem perto de ti, na tua rua, na tua terra, no modo como vês a vida. Basta tão só e apenas que construas o seu B.I. literário e respectivas ligações. Escrevendo bem, tudo o resto fluirá, naturalmente. ;)

Mutante disse...

É realmente uma coisa (entre tantas...) que gostaria de fazer: observar ao detalhe e reter ou criar a partir daí o centro do personagem. Depois, há que "enchê-lo" e "decorá-lo". Ah... tanta coisa!
Por fim, mas não menos importante, como dizes, "Escrevendo bem"... :o)
E aí tenho muito tpc para fazer.
Obrigada pela visita e pelas sugestões!

edu disse...

A cena é: tu escreves bem, por isso, só falta mesmo o resto! :P

Mutante disse...

Falta "aquele bocadinho assim" como no anúncio dos iogurtes-para-crescer,
Algo a que devo dedicar-me. Ou não estivesse aí pelo meio a palavra crescer...
Li uma história das tuas. Gostei, escreves bem. :o)

Alexandra Brandão disse...

eu não te disse?
agora vá de contar essa história de amor que trazes atravessada.

Mutante disse...

História de amor atravessada, só a minha. As dos outros são... um amuse bouche!
Irei contando aqui o que me entretém o palato enquanto se prepara o prato principal.
Ri-te, é da hora da noite, que vai alta.

edu disse...

Lembra-te que devemos escrever para nós e não para os outros...Pronto, vá lá, no meu caso, sou apenas um nabóide (e não quero ser mais que isso), escrevendo historietas para o meu sobrinho ler daqui a alguns anos.
Obrigado pelas tuas palavras. Vou continuar a visitar o teu blogue, até que parte da tão esperada história de amor saia dos teus dedos...

Mutante disse...

Eu, também nabóide, escrevo para mim. Porque realmente me entretém o palato e me faz muito, mas mesmo muito, bem.
Também vou passando pelo teu blogue, que tem boas histórias-para-os-sobrinhos, ou não fôssemos quase todos sobrinhos de alguém.
Bem vindo ao meu, podes entrar. Pela porta ou pela janela. :o)

Quanto à história de amor, vai saindo todos os dias um pouco, à medida que o amor entra. Volta sempre, enquanto gostares do que por aqui vou deixando. A tal história não tem fim...